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domingo, 1 de agosto de 2010

Como as folhas no chão

    Foi, sem dúvida, um acaso feliz, o de nos encontrarmos numa reunião de família. Sempre fico um pouco distanciada de todos, algo natural de minha parte – sou um tanto solitária! E é verdade que as discussões familiares deixam-me apreensiva. É que, no fundo, não sou de debates e nem um pouco simpática com aqueles que tratam os mais velhos com descaso. Coisa que aconteceu na ocasião.
    Então, nesta última reunião tive de me fazer ser ouvida, causando um silêncio momentâneo (bom para mim que pude expor calmamente minhas opiniões) e trazendo os olhares para minha pessoa. Sei que não te vi de imediato. Tu estavas com um irmão de minha mãe.
    Quando eu gesticulava numa euforia de meus argumentos acerca das heranças carinhosas que tenho de meus avós maternos (eu bem sabia do sabor disso no peito de meus irmãos) encontrei  a simpatia de teus olhos.  E, num lugar onde os homens têm peso nas palavras, tu eras o olhar mais atento de meu público.
    De imediato não vi relação entre o que eu dizia e uma possível admiração de tua parte para com meu jeito espontâneo de ser. Devo ter lançado algum sorriso a ti; afinal, meu corpo nunca vira um homem demorar-se tanto na curva de meus seios. Meus pensamentos quase me fugiram da razão e foram provar um pouco das delícias de uma sedução. Felizmente, consegui harmonizar minhas palavras no debate em questão e meus sentidos interiores.
    Sensações femininas é um estado de poética. Toma conta da pele e se fixa nos poros. Digamos,assim, que vá formigando devagar, como se buscasse conhecer um por um os desejos mais íntimos da mulher. Uma vez, dentro do coração, a alma parece ter saído de uma clausura e estar em libertação; pois amar passa a ser função vital, e o único alimento são os carinhos do amado.
     Eis como me encontrei em teus braços – sedenta de amor. Tua boca era fruta tropical das mais deliciosas que eu já provara. Sei que me entreguei sem reservas a teus beijos. Teus lábios me fizeram tremer de prazer. Eras o meu amor.
    Lembro de teu olhar sedutor; porém me demoro aqui nas recordações de momentos em que te vi meigo e gentil. Tudo quanto é belo havia em teu olhar. E eu era a rosa de tua atenção. Quando caminhávamos, uma brisa suave vinha de teus olhos cair bem em meu andar. Eu me sentia querida, flor singela fresca e gostosa de admirar! Feliz, sim, senti-me feliz...
    Felizes são os acasos de amor! Haverá coisa melhor que amar? Alguém que sabe o que é ter sido amada pode perder-se em lágrimas diante das lembranças desse amor? Pergunto-me, baixinho, olhando o sol se pôr como muitos seres o devem estar fazendo também agora.
    Agora, aqui no Piauí, é uma tarde como tantas outras depois de tua partida. O vento quente varre as folhas secas, alguns pássaros catam alimento no chão e, dentro de casa, pessoas conversam de lembranças. 

    Sei que estou nostálgica porque os amores se vão. Afetos e folhas são muito parecidos. Aqueles caem um dia no esquecimento do corpo e, estas, as árvores depositam no chão na época da florada. E o vento varre tudo...
    Mas algumas folhas demoram a amarelar!... Bem sei, bem sei...
   

5 comentários:

Chica disse...

Que linda e introspectiva reflexão,Flor!Adorei!beijos,tudo de bom,chica

José Ramón disse...

Obrigado pelo seu comentário tipo passar uma boa semanaJosé Ramón cordiais saudações

Lídia Borges disse...

Uma auto-reflexão mais do que um lamento... Como folha de Outono ao vento!

L.B.

Sônia Silvino disse...

Esse foi de arrepiar de emoção, Teresa!
Beijocas, minha linda!

Silvana Nunes .'. disse...

E como demoram...

FOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... e MEU CADERNO DE POESIAS desejam uma boa semana para você.
Saudações Educacionais !