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quinta-feira, 21 de janeiro de 2010




Caríssimo,

Entre os caminhos que percorro, há sempre aquela vereda a me falar de ti em tons de uma poesia ao amor...
Mas sei que muitas vezes não compreendo por que minha alma te chama na noite... Sou uma mulher coberta de paixão por ti e mergulho em meus lençóis presa em tua imagem... Tento me separar das lembranças de nossos beijos, de tua voz falando baixinho em meus ouvidos... E fico a construir um mundo, nosso, dentro de mim: “Nossa morada é bem ali, na curva do vento em noites de luar... Vem, vamos escrever nossa história de amor!”
E por morar nos versos dum mundo de sonhos, a mulher em mim debruça-se nas folhas desse livro escrito durante nossos momentos. Associo carícias, cumplicidades de olhares da hora da partida... E assim quando leio essas horas dentro de meu coração, aparece-me o desenho vivo de nós... amando!
São sons de um homem e uma mulher, completos, na entrega do amor... São luzes dançando em nosso corpo quando o prazer nos vinha em imensuráveis orgasmos...
E meus passos estão querendo ir a ti... Há dias de chuva; dias de um sol que me aquece num céu azul. Há flores que desabrocham; outras se fecham ao entardecer...  Não sentes uma tristeza que me invade sem notícias tuas?

Ó querido meu
Onde mora tua face neste instante?
Rabisca umas linhas e me conta de ti...
Antes que a vida me tire as flores
(E meus passos acordem em espinhos...)

A ti, que amo tanto... tanto...


domingo, 10 de janeiro de 2010



                                         Caspar David Friedrich - Mulher à Janela, 1822

Caríssimo,

Estou sentada à cadeira, olhos postos no infinito, com aquele meu ar de quem se sabe ter sido amada. O dia começou assim, com esta vontade de te enviar umas linhas, a despeito da distância que nos separa. Cheguei a pensar que não conseguiria olhar mais o mar sem chorar, pois as horas vazias me são um tormento; todavia os dias amanhecem e como tu sabes minhas lágrimas não são donas de minha vontade de viver.
Confesso que estou triste. Cheguei a arrumar minhas malas, pensei em ir ao interior, mas o sol insistiu em entrar-me pela janela hoje de manhã. Há uma claridade viva no lençol do céu descortinando este meu peito sofrido. Foram tantos momentos belos passados contigo, que embora sinta tua falta, há um calor em meu coração. Com certeza há uma vida lá fora desse meu mundo. Tu mo disseste na despedida. Tinhas razão. Meus olhos reclamam por flores debaixo da janela.
Uma loucura nosso amor! Fomos insaciavelmente amantes. Havia mundos nos separando e tu me vieste aqui com esse teu jeito romântico. E se falei em flores nas linhas acima é porque tu sabendo de minha paixão por elas sempre me enviavas uma, nos emoticons, em nossas conversas no MSN. Estou me distraindo falando em flores quando na verdade não posso esquecer-me de tua coragem de atravessar o Atlântico para vir ter comigo. Foi a maior declaração de amor que já recebi. Então nossos momentos deviam ter sido mesmo o que foram: loucos instantes de amor!
Estou certa de que os dias terão novamente seus encantos. O verde da mata, choveu ontem, parece-me com o tom dum lápis de cores que na infância eu sonhava ser a cor da esperança. Em cima do muro um gato passeia faceiro; os pássaros gorjeiam no cajueiro; no chão do quintal de minha casa formigas perdem-se no capinzal. Olho. Admiro a vida. Meu coração compreende que esta saudade tua não vai me impedir de seguir. Tu me és dentro d’alma o amor de minha vida. E se amo, só posso prosseguir minha caminhada. O ocaso virá, e estarei debruçada nesta janela ouvindo os cantos da noite. Talvez quando a lua acender seu candeeiro, eu dance meus olhos nas estrelas. Talvez eu te seja uma estrela distante, mas correndo dentro de teu coração. Talvez nos vejamos novamente um dia. Talvez.
Só não quero te ser uma lembrança melancólica. Meu peito tem tanta certeza de que nunca te esquecerei que sorrio num suspiro das recordações de nossos momentos. Beijamo-nos. Fizemos amor na madrugada. Conversamos baixinho segredando nossas vontades. Dentro de nosso mundo secreto no quarto inclinamos as horas do dia enquanto nos amávamos. Os sabores de nossos orgasmos ainda me vêm. Feminina eu me senti em teus braços. Mulher inteira. Amada.
Fico calada agora. Noto meu corpo pedindo teus beijos. A respiração já me acelera. Com a ponta dos dedos toco uma lágrima que desce mansa. Não te aflijas! Ela vem-me com um sorriso no coração. Esta emoção de ter estado contigo me seguirá dançando assim mesmo no corpo, gosto dela. Tantos olhares trocamos que te vejo aqui comigo! E sei que não vais embora de meu ser.
Mas tenho de fechar as linhas e calçar minhas sandálias rasteiras antes de pensar de ir pelo caminho. Tive a teu lado as horas mais belas na vida de uma mulher. Quero olhá-las e sentar na tarde da vida certa de que fui amada em teus braços. Tu estás dentro de mim.
Já me vou... sem um adeus... vou por aqui... antes que o dia me veja com um lenço nas mãos.

Meu beijo, o melhor.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Carta de amor





Meu amor,

Se durante esta vida não nos viram juntos as flores,
Não silencia a voz do vento no jardim;
Fala a elas que fomos amantes.
E se quiserem, posta em meu túmulo
Uma rosa branca.
Deixa a marca de teus passos em minha vida
Quando eu não mais estiver aqui.
Pede que os sinos toquem tristes
À minha passagem
Como se chorasse a igrejinha.
Ah, meu amado
Ora por nós que não vivemos
Livres tão belo amor.
Pois numa suave tarde
Ouvindo o canto dos bem-te-vis,
O bosque que abrigou nossos segredos
É lá que vou passear nas horas longes de ti.
Enquanto te espero,
Num ambiente azul de paz,
Evita a loucura das paixões
E te protege da nostalgia;
Porém enfeita as horas que nos separam;
Onde eu estiver saberei
Que precisas continuar a viver.
Sei do tom das flores
E do calor de braços amados
Debaixo do travesseiro.
Mas não esqueces:
Não juras amor a outra;
Pois ainda quero
Notar o sabor de teus beijos
Além da vida.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Solidão ao cair da noite



Meu amado,


O sol de hoje deixou um rastro de tristeza na luz de meus olhos. É que chegara ao nascer dele,  a lembrança do calor de teus beijos dentro de mim; e julguei ao ver o sol dormir, serem teus lábios dizendo-me adeus...
Então, crepitou dentro de minh’alma uma vontade de estar contigo embriagando-me os pensamentos e estes davam mergulhos na luz de meu coração! E me vi novamente com meu corpo colado ao teu, amando-te na noite...
Há, desde o pano de fundo do céu até a cor negra de meus olhos, luzes brilhando na noite em que te escrevo. Vem-me uma sensação de rubor nas faces; de uma boca selada à minha e, chego a ouvir meu nome num suspiro das estrelas! Então, fico com os olhos afogueados pedindo que venhas me ver! Chego a sentir o gostinho de teu beijo tanto é meu desejo por ti!
Corre agora um vento fresco vindo das palmeiras. Lembro-me de nós conversando agarradinhos, segredando carinhos, palpitando de anseios a cada caminhar de nossas mãos em nosso corpo. Todos os sonhos que viajam por minha mente neste instante, dançam em minha pele que se arrepia (e não é do vento)... E minha epiderme sente-se viva chamando-te para uma noite de amor.
Sou neste momento uma presença morena iluminada pela lua. Meus olhos têm o brilho de uma gata no escuro. Uma tormenta me vem ao corpo mensageiro de minhas vontades. Em meu ventre, um almejar de afagos desfolha-me o âmago querendo que eu seja hoje, mais uma vez, a dama de teus olhos e tua mulher diante do amor.
Estou te escrevendo como se pudesse acalmar meu corpo e meu coração. Sou parte da noite anunciando a solidão do sol. Trocam-se estrelas de lugar; viaja a lua por novas nuvens e fico aqui olhando os astros numa melancolia que me puxa o coração para o vazio. No silêncio, só meus pensamentos movendo-se com a lembrança de tua imagem.
Lá para as bandas do nascente rasga um trovão. É a noite chamando a vida que se renova sempre depois do pranto das nuvens. Talvez chova mais tarde e eu sinta ainda mais frio em meu corpo. E eu não encontro outra forma de sentir tua presença a me aquecer: preciso pôr nas palavras a tortura lírica de meu ser. Estou em transe poético! E como não gritar teu nome diante dessa tortura por teus carinhos?
Acredito que me amas. Assim, naufrago meus olhos na noite, enquanto aguardo ser salva por teus beijos!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009




Amado,

Tenho pensado tanto em ti! Olho meus dias e vejo-te ao meu lado, tamanha é a vontade de estar contigo!
E sei que este meu sentimento é para sempre!
Mudam-se os aspectos da natureza... o céu de azul passa a cinza anunciando  que tristes são as horas longe de ti! E as rosas brotam,perdem as pétalas e acorda uma semente renovando a vida. Assim sigo... revigorando-me de ternura por ti, enquanto aguardo passarem-se os dias que nos separam !
E cá estou... ouvindo nossa música, sentindo meu peito arrebentar de tanto te querer! Um meigo sorriso me vem d’alma sussurrando que tu és o homem de minha vida; que só teu olhar me afogueia o corpo!
Em minha pele corre teu cheiro; o sabor de teus lábios ainda está nos meus... e sei que em cada noite passada a teu lado foi o meu nome que teus lábios pediram. Nessas horas eu fui uma deusa, uma ninfa da beleza feminina. Foi contigo que eu soube o prazer de ser mulher amada.
Eu não sei disfarçar o quanto te quero! Te quero! Grita meu corpo em cada célula. Chego a visualizar teu caminhar de encontro a mim... e corro para ti! Ah! Minha boca deixa sair teu nome... amor!
Tu, só tu conheces os segredos de meus desejos... E só tu me despertas assim... feminina mulher... gritando de prazer na hora de nosso amor!
Como posso dormir sem antes te dizer o quanto meus pensamentos são teus? Então lê minhas palavras em teu coração, pois elas são o fruto de meus sentimentos!

Um beijo.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Entre a razão e o coração



De um jardim, em uma noite solitária sem lua, nem estrelas... 

Amado (amo, sim!),  

É tarde! É muito tarde! Diz minha razão a meu coração. Mas um perfume longínquo vem me lembrar das vezes em que fizemos amor; de tuas palavras me falando ternamente; até de teus conselhos...  
Ó meu amor! Que saudade infinda me trazem as horas caladas da noite! Os minutos do relógio em sutis passadas remexem meu ser... cheiro dos sorvetes; sons de onomatopéias em meus ouvidos; minha alma tremendo ao toque de tuas mãos... Não me abandones... Não me deixes nessa solidão... num amor sem rumo!...  
Bem me avisou minha razão para eu não entregar meu coração. Tola! Tola! Sinto agora o amor em cada célula, a correr em mim como o sangue das veias... E viaja em todos os caminhos de meu corpo sussurrando teu nome... 
Não vês que meus versos são teus? Que sou tua Maria? Não te lembras de minha carta cheia de sedução na qual eu me declaro a ti? Corre os pensamentos na tua memória e faze em flip... flop... flap... um sugestivo som de uma flor a ti chamar na noite... 
Oh! Não deixes minha razão vencer! Dize a mim que não é tarde. “Ainda sou tua Maria.” Abre em tua casa a janela do quarto e sente o perfume de minhas pétalas...! Estou aqui a ti esperar... 

Beijo...  

P.S. Deixei na mensagem instantânea a mesma flor de sempre, com aquele coraçãozinho...

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Cartinha simples





Oi amor
Lindo dia, não é?  Como vai teu domingo? Deste lado do céu, o sol abriu seus raios, graças!
Escrevo-te hoje para contar que passei a semana inteira, pensando em ti. Isso não é surpresa! Tens conhecimento de meu querer, desde o instante em que nos fitamos em palavras de poemas.  Lembras? Ficamos versos inteiros namorando numa serenata de entrelinhas embebidas de perguntas.
Tantas interrogações nos fizemos antes de nos estreitar o abraço poético de nossos desejos!
E foi tão belo! Uma alma unida à outra alma, existindo alheias ao mundo. Almas sonhadoras querendo somente a felicidade. Serenas, cultivando o hálito do amor. Inspiradas no mais puro sentimento divino... Sem culto ao corpo, sem luxúrias de gritos ao mundo. Silenciosas almas amantes da poesia.
E se a dor (inimiga desse sentir) vinha ter conosco... Ah! mais nos amparava  o escrever do verso, nosso confidente de segredos, que em olhar atento, longe dos homens, era nosso mais íntimo pensamento.
Celebro hoje o dia, num altar à poesia, em que me fiz menina para sonhar amar ainda, uma vez mais...
...Vibrando a alma em prol da vida!